segunda-feira, 18 de Janeiro de 2010

Madrid-Málaga em alta velocidade mostra o que acontecerá em Portugal

«O tráfego ferroviário do AV Lisboa-Madrid vai ser menor do que o de Madrid-Málaga pela simples razão de que estas cidades pertencem ao mesmo país. O que mais irá justificar a nova via entre Madrid e Lisboa será o transporte de mercadorias, em bitola europeia, pois vai permitir a ligação dos portos de Sines e Setúbal à UE. A nova rede ferroviária permitiria assim à Auto-Europa exportar os seus veículos terminados directamente e sem transbordos para a Europa.»

in Carga & Transportes, publico.pt

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quinta-feira, 10 de Dezembro de 2009

Erros Estratégicos na Nova Rede Ferroviária

O Governo está a cometer um erro estratégico ao propor uma rede que não vai permitir transportar directamente os contentores do nosso território e portos para à U.E.


O nosso país ficará mais isolado e menos competitivo.

Ler aqui (PDF)

Rui Rodrigues

Informação relacionada:
Plan Transporte de Mercancías da ADIF (video)
Fomento cambiará 12.000 kilómetros de vías de tren para abrirse a Europa

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sábado, 5 de Dezembro de 2009

Não se corrigindo os erros, Portugal vai perder competitividade

No início de Novembro de 2009, o novo Governo apresentou o seu programa no Parlamento. Iremos analisar alguns pontos sobre transportes, assunto que se inicia na página 22 do referido documento.

Sobre o Portugal Logístico é dito "concluir a ambiciosa rede de plataformas logísticas concebida e lançada pelo XVII Governo Constitucional; ii) promover a localização das actividades produtivas junto das infra-estruturas do Portugal Logístico, como forma de valorização, e ordenamento do território; iii) criar a Janela Única Logística, na lógica de modernização e simplificação de procedimentos da Janela Única Portuária, derrubando as barreiras existentes entre os portos e os seus stakeholders".

No sector aeroportuário, o Governo pretende avançar com a construção do novo aeroporto de Lisboa, além de melhorar as infra-estruturas existentes.

Relativamente à ferrovia pretende-se "Afirmar o transporte ferroviário como o transporte terrestre de excelência, mais rápido, mais cómodo e mais seguro, aumentando a sua quota de mercado em 20% para o segmento das mercadorias e em 10% para os passageiros". Mais adiante é dito "Concretizar a Rede Ferroviária de Alta Velocidade, ligando Portugal à Europa e dando coesão ao eixo económico Corunha?Setúbal, concretizando as linhas Porto-Vigo e Lisboa-Madrid até 2013 e a linha Lisboa-Porto até 2015.
No sector rodoviário ?Prosseguir a concretização do Plano Rodoviário Nacional e concluir a rede de auto-estradas, nomeadamente das ligações a Bragança, entre Coimbra e Viseu e entre Sines e Beja;"


PRIORIDADES A DEFINIR


A fonte de energia com maior peso nas importações nacionais é o petróleo e o sector de actividade com maior consumo é o dos transportes, devido ao modo rodoviário.
A maior prioridade do investimento das obras públicas deveria ser dirigida para a futura rede ferroviária de bitola (distância entre carris) europeia de passageiros e mercadorias, para permitir o transporte de contentores de e para a U.E. e para o modo marítimo, porque são os que consomem menor energia.

Infelizmente, o Governo pretende investir milhares de milhões de euros, em mais auto-estradas e num novo aeroporto de Lisboa, estando o actual muito longe da saturação e, mais grave, quando a TAP está numa situação económica muito débil devido aos elevados prejuízos do ano de 2008.

Evidentemente que a prioridade, nos próximos tempos, passa por reestruturar a TAP, de modo a que esta empresa possa competir no mercado internacional. Caso contrário, Portugal arrisca-se a gastar milhares de milhões de euros numa nova infra-estrutura aeroportuária, que depois não teria utilização por parte da companhia aérea nacional de aviação.

Dadas as limitações económicas do nosso País, os investimentos nas auto-estradas e novo aeroporto, deveriam ser adiados de modo a permitir a aposta na ferrovia.

No modo ferroviário, o Governo vai cometer um grave erro estratégico, pois, pretende apostar no transporte de mercadorias, em bitola ibérica, o que vai impedir a livre circulação de contentores de e para a U.E. obrigando a transbordos que farão disparar o custo de transporte, por contentor, devido à diferença de bitola com a rede europeia.
Convém lembrar que a nova linha Lisboa-Porto, em bitola europeia, é exclusiva para passageiros e os portos só se ligam à actual rede de bitola ibérica.

Estas propostas podem ser confirmadas nos projectos da RAVE, empresa que estuda a nova rede ferroviária. Tais decisões vão ter graves consequências económicas, que poderão ser visualizadas através de um facto que se verificou recentemente e que exemplificaremos a seguir.



CONSEQUÊNCIAS DA PERDA DE COMPETITIVIDADE


Quando as bombas de gasolina portuguesas passaram a cobrar preços muito mais caros que as espanholas, 25 a 35 cêntimos por litro, ocorreu o seguinte fenómeno num raio de 60 Km desde a fronteira: as bombas de gasolina portuguesas perderam grande parte dos clientes e a maioria teve que fechar e o pessoal foi despedido.

No lado espanhol, houve um grande aumento de clientes portugueses, incrementando as vendas de combustíveis. Uma empresa portuguesa, a Galp, até investiu e comprou bombas de gasolina em Espanha, donde resultaram prejuízos substanciais para Portugal, devido á perda de competitividade, com as seguintes consequências:

1. Perda de receitas fiscais para o Estado português, em milhões de euros.
2. Desemprego no território nacional, junto à fronteira.
3. Importação de combustíveis vindos de Espanha.
4. Investimento de empresas portuguesas, no país vizinho, para explorar o negócio dos combustíveis.

O que ocorreu com o negócio dos combustíveis, como já foi referido, verificou-se, sobretudo num raio de 60 Km da fronteira. Relativamente ao transporte de contentores de e para a U.E. a situação será ainda muito mais grave porque todo o território nacional vai ser afectado se, em Portugal, não existir nenhuma linha de bitola europeia que permita a livre circulação de contentores. Será o isolamento ferroviário
O nosso país ficará dependente do transbordo de contentores, que é uma operação que faz disparar os custos e onde se perde uma hora ou mais, por comboio.

A nossa economia ficará menos competitiva e os nossos portos também, porque serão preteridos relativamente aos portos espanhóis. Muitas empresas até poderão sair do País de modo a reduzirem os custos do transporte.

Rui Rodrigues

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quarta-feira, 21 de Outubro de 2009

OS POLÍTICOS E A NOVA REDE FERROVIÁRIA

A discussão da nova rede nunca foi abordada correctamente, pois só foi considerado o transporte de passageiros, tendo sido ignorado o tema mais crucial para Portugal que é o transporte ferroviário das mercadorias para a União Europeia.


Nestas eleições legislativas, a nova rede ferroviária de bitola (distância entre carris) europeia voltou a ser um dos principais temas de discussão: o TGV. No ano de 2001, o Governo PS de António Guterres nunca demonstrou grande interesse pela nova rede de bitola europeia porque, na altura, estava mais inclinado para a construção do aeroporto da Ota. Aliás, quando o executivo de então percebeu que era impossível investir em vários projectos simultaneamente, decidiu dar prioridade à Ota em detrimento da nova rede ferroviária, pois ainda não tinha sido firmado nenhum acordo com Espanha. O Governo PSD de Durão Barroso não estava interessado em nenhum destes empreendimentos, dadas as limitações financeiras e o défice das contas públicas.

Nessa altura, o então Ministro das Obras Públicas Valente de Oliveira defendia o modelo do T deitado e a ligação por Cáceres, que não foi aceite por Espanha na Cimeira de Valência em 2002 devido a razões técnicas, ambientais e custos financeiros. Após a sua saída do Governo, foi a vez do Ministro Carmona Rodrigues tomar conta deste assunto. Inicialmente, tinha pouca informação sobre o tema e também defendia o modelo do T deitado, mas, após ter estudado e reflectido, concluiu que aquele modelo era incorrecto e, segundo as suas próprias palavras, o T não servia ninguém. Carmona Rodrigues também percebeu que se insistisse na ligação por Cáceres, jamais haveria acordo. O entendimento prévio foi estabelecido no dia 18 de Setembro de 2003, em Madrid, com o seu homólogo espanhol Francisco Cascos. O acordo oficial foi efectuado, no dia 7 de Novembro de 2003, na Figueira da Foz.

Ambos os Ministros confirmaram os objectivos incluídos nos referidos acordos relativamente às seguintes linhas:



? Porto-Vigo (2009)

? Aveiro-Salamanca (2015)

? Faro-Huelva (2018)

? Lisboa-Madrid (2010)



No dia 4 de Maio de 2005, em Lisboa, o Ministro das Obras Públicas Mário Lino do Governo PS de José Sócrates recebeu a Ministra de Fomento Magdalena Álvarez e assumiu os compromissos da Figueira da Foz.

Em relação à linha Lisboa-Madrid, além de ficar estabelecido o compromisso de o tempo de viagem entre as duas cidades ser da ordem das 2 horas e 45 minutos, ficou acordado que as características da referida linha seriam as seguintes: nova linha de Alta Velocidade, via dupla, electrificada, bitola standard de 1435 mm (europeia), possibilidade de tráfego misto, passageiros e mercadorias, em cada país. Da parte portuguesa foi pedido o avanço da conexão Aveiro-Salamanca.

No dia 18 de Maio de 2005, o Ministro Mário Lino foi ao Parlamento, para uma sessão de perguntas na Comissão de Transportes, onde revelou detalhes da reunião tida com a sua homologa espanhola, informando os Deputados que se estavam a efectuar mais estudos para tomar decisões no futuro. Nessa ocasião, o Ministro já sabia da gravidade da actual situação económica, porque afirmou que o défice real da economia portuguesa rondava os 7%.


LINO ALTERA POSIÇÃO


Surpreendentemente, no dia 28 de Outubro de 2005, o Ministro Mário Lino, também no Parlamento, afirmou que o projecto que tinha assumido, em 4 de Maio, era ?irresponsável" e ?magalómano? tendo dito que a nova rede de bitola europeia deverá ter um atraso de 5 anos.

Uma das razões invocadas, segundo ele, ?resulta do facto do anterior Executivo, depois de decidir avançar com o projecto e negociar datas com Espanha, não ter feito nada para o implementar, o que provocou um atraso de 3 anos e meio na execução?. Este argumento é estranho pois os acordos da Figueira da Foz foram assinados em 2003. Além disso, o ex-Presidente da RAVE e REFER Braancamp Sobral, que foi exonerado, afirmou: "É inaceitável que a REFER esteja sem orientações estratégicas há sete meses ? ou seja, desde que a nova equipa Ministerial tomou posse.

Outra das razões invocadas para o atraso deve-se às actuais limitações financeiras, mas esse argumento, ao que parece, já não se aplica no caso do novo aeroporto porque esse projecto tinha que avançar.

Convém recordar que, em Maio de 2005, o Ministro Mário Lino declarou publicamente que a Portela poderia receber cerca de 23 milhões de passageiros e que a Ota só tinha capacidade máxima de 30 milhões mas, mesmo assim, achava que se deveria avançar com o projecto.

A conclusão a que se chega é que foi decidido construir o aeroporto da Ota e adiar a nova rede ferroviária, apesar de, em Maio de 2005, o Ministro já ter conhecimento das limitações financeiras e ter assumido os acordos da Figueira da Foz.

Valadares Tavares, encarregado pelo Ministério da Economia de estudar os futuros investimentos, afirmou que a decisão relativa ao novo aeroporto foi política (in Público de 29 de Agosto).

Desde 2005 até 2009, não foi apresentado nenhum projecto de execução de qualquer via da nova rede ferroviária que seja do conhecimento publico. No Verão de 2009 o Governo decidiu adiar a escolha da empresa que poderia construir o troço Poceirão-Caia. Tudo o que foi descrito anteriormente representa a realidade do que verdadeiramente ocorreu desde o ano 2000.

A grande discussão, neste momento, é se a construção da nova rede ferroviária deve ser adiada ou não, dadas as actuais limitações financeiras do País.

Os vários partidos nunca estudaram o assunto com a devida profundidade e, mais grave, nunca se tentou criar um consenso nacional para a definição de um plano ferroviário de bitola europeia e de um sistema integrado de transportes.

A discussão da nova rede nunca foi abordada correctamente, pois só foi considerado o transporte de passageiros, tendo sido ignorado o tema mais crucial para Portugal que é o transporte ferroviário das mercadorias para a União Europeia.

Quando os políticos assimilarem os graves constrangimentos que a actual rede portuguesa apresenta, devido à diferença da distância entre carris, com a rede europeia, isso talvez os faça encarar a discussão de maneira diferente. A resolução deste problema deverá ser prioritária, relativamente às novas auto-estradas e mesmo ao novo aeroporto.



Rui Rodrigues

Email: rrodrigues.5@netcabo.pt

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quinta-feira, 3 de Setembro de 2009

A Falsa Saturação da Portela



O Estudo referido na reportagem pode ser descarregado aqui (PDF)

Rui Rodrigues

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quinta-feira, 30 de Julho de 2009

Erros Estratégicos na Nova Rede Ferroviária

O Governo está a cometer um erro estratégico ao propor uma rede que não vai permitir transportar directamente os contentores do nosso território e portos para à U.E.

O nosso país ficará mais isolado e menos competitivo.

Ler aqui (PDF)

Rui Rodrigues

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domingo, 12 de Julho de 2009

Graves Erros na Política de transportes

Tem sido alvo de forte polémica algumas das opções que vão ser adoptadas pelo actual Governo sobre traçados de novas vias férreas, bem como a prioridade - ou não - de outros investimentos. Infelizmente, não foi discutido o tema mais importante para Portugal, que é o transporte de contentores dos nossos portos e território, por via férrea, para a União Europeia (UE), o que permitiria tornar a nossa economia mais competitiva.
Os modos de transporte mais eficientes do ponto vista económico, e menos poluentes, são o modo marítimo e ferroviário. Relativamente a este, existem vários constrangimentos que estão por resolver para o tornar ainda mais eficiente: são necessárias vias férreas com o mesmo tipo de electrificação, sinalização e, mais importante, a mesma bitola (distância entre carris) da UE e da futura rede espanhola.
A Espanha possui uma rede convencional de bitola ibérica com vias electrificadas de três mil volts e corrente contínua (CC) ou não electrificadas. Em Portugal, a rede convencional também é em bitola ibérica com vias electrificadas de 25 mil volts e corrente alterna (CA) ou não electrificadas. O transporte de contentores com comboios de tracção eléctrica é mais rentável que os comboios a diesel, devido ao disparo dos preços dos combustíveis, nos últimos anos.
Relativamente à sinalização, nas vias electrificadas, o sistema mais utilizado em Portugal é o Convel e, em Espanha, é o ASFA (Anuncio de Señales y Frenado Automático). Resumindo, as redes ferroviárias convencionais portuguesa e espanhola possuem a mesma bitola, mas diferentes electrificações e sistemas de sinalização. A circulação de comboios de carga em contentores, entre os dois países, é possível com comboios a diesel ou, eventualmente, de bi-tensão, mas impossível para a Europa, devido à diferença de bitola.
A Espanha está a construir uma nova rede ferroviária que vai cobrir todo o seu território e que irá permitir o livre trânsito dos comboios de mercadorias e passageiros para a UE, através de linhas mistas de bitola europeia, que vão ser colocadas na nossa fronteira em quatro pontos: Vigo, Salamanca, Badajoz e Huelva, sendo a de Badajoz em Alta Velocidade (AV) e as restantes em Velocidade Elevada (VE). As novas vias serão construídas em bitola europeia e electrificadas com 25 mil volts e corrente alterna (CA). A sinalização será o ERTMS (European Rail Traffic Management System). Esta será a solução ?standard? que deveria ser adoptada para a futura rede portuguesa.
As três ligações entre França e Espanha serão: Vitória-Irun-França, Saragoça-Canfranc-França e Barcelona-Figueras-França.

TRÊS ERROS NA NOVA REDE PORTUGUESA

No site da RAVE, empresa que efectua os estudos da nova rede ferroviária em Portugal, é possível observar vários erros de conceito muito graves.

1. A nova linha Lisboa-Porto só está projectada para passageiros;

2. Não há ligação, através de linhas de bitola europeia, aos portos de Sines e Setúbal;

3. Não se justifica uma linha convencional de mercadorias para cargas de 25 Ton/eixo, ao lado de uma linha mista (passageiros e mercadorias), também para 25 Ton/eixo.


No primeiro erro, a linha de bitola europeia, projectada pela RAVE, de Lisboa ao Porto, só foi pensada para passageiros, já que as pendentes definidas não são inferiores a 18 metros por mil, como é necessário nas linhas mistas, para mercadorias e passageiros. Tal opção não vai permitir o transporte de contentores, em bitola europeia, dos portos de Setúbal e Sines para a Galiza e vice-versa ou para a UE através de Vilar-Formoso-Salamanca-França. O porto de Leixões terá exactamente o mesmo problema.
No segundo erro, como os portos de Setúbal e Sines não estão ligados à nova rede de bitola europeia, esta situação vai obrigar à rotura de carga (mudança de transporte) dos contentores da rede de bitola ibérica para a europeia. Este grave problema vai aumentar os custos e a perda de tempo, pois não será possível efectuar a livre circulação dos comboios de mercadorias para a UE. Para evitar este problema, basta só prolongar a linha mista desde Badajoz até ao Pinhal Novo, que é um ponto de intercepção de várias vias e, deste ponto, através de vias convencionais de bitola europeia, ligar ao porto de Setúbal e, no Poceirão ou Vendas Novas, conectar ao porto de Sines. Este troço poderia ser comum à futura linha para o Algarve. Convém recordar que a Espanha vai mudar a bitola de toda a sua rede em 2020. Se o país vizinho utilizasse as teorias da RAVE, então bastar-lhe-ia efectuar roturas de carga junto à fronteira francesa, em vez de mudar a bitola em todo o país.
Relativamente ao terceiro erro, não faz sentido construir uma linha de mercadorias ao lado de uma linha mista, quando a bitola ibérica vai desaparecer.

Concluindo, os portos portugueses, por não estarem ligados directamente à nova rede ferroviária, com a mesma bitola, electrificação e sinalização, não poderão transportar directamente os contentores para à U.E. e o nosso país ficará mais isolado e menos competitivo.

Rui Rodrigues

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sábado, 27 de Junho de 2009

Os Bons Investimentos Públicos e Suas Consequências

Na imprensa, sempre que se fala de investimentos em obras públicas, geralmente só são discutidos todos aqueles que vão ser realizados no futuro. Seria muito interessante analisar os que foram executados no passado e observar os verdadeiros resultados, tendo em conta o seu custo-benefício. A introdução do comboio na Ponte 25 de Abril e o Metro do Porto foram, sem dúvida, dois dos melhores projectos de mobilidade que foram levados a efeito nos últimos anos, em Portugal. Estes dois exemplos demonstram que as populações aderem ao transporte público, sempre que estes correspondem aos seus interesses.

O tráfego rodoviário, na Ponte 25 de Abril, praticamente estagnou, nos últimos cinco anos. Os valores médios anuais, considerando a soma dos dois sentidos, foram os seguintes: 155 mil veículos no ano de 2004, 156 mil em 2005, 155 mil em 2006, 155 mil em 2007 e por fim 153 mil em 2008.

Ao contrário, o tráfego ferroviário na mesma ponte quase duplicou. Em 1999, entrou em funcionamento o comboio na Ponte 25 de Abril que permitiu criar uma nova ligação ferroviária entre as duas margens do rio Tejo, efectuando, actualmente, a conexão desde Setúbal (margem Sul da região de Lisboa) até Areeiro (margem Norte), tendo o tráfego quase duplicado de 11,6 milhões de passageiros, no ano 2000, para 21,4 milhões em 2006 (mais 84,4%). Significa isto que, se não existisse esta nova ligação, o congestionamento rodoviário, na Ponte 25 de Abril, teria sido bem pior. Este é um exemplo de como o investimento no transporte publico melhorou a situação.

Convém recordar que, quando foi inaugurada a nova Ponte Vasco da Gama, passado um ano, o tráfego na Ponte 25 de Abril teve um aumento apreciável. Ou seja, a nova travessia rodoviária não melhorou o congestionamento na antiga ponte.

Na região do Porto, antes do Metro existir, cerca de 61% das pessoas circulavam de automóvel, 30% de autocarro e 9 % de comboio. A cidade tem graves problemas de mobilidade e, com o funcionamento da nova rede do Metro, certamente se verificará uma alteração substancial no valor das percentagens referidas.

Quando estiver terminada a 1ª fase do Metro, são esperados 82,5 milhões de passageiros, cerca de 226 mil por dia. O número de clientes subiu de 9,8 milhões em 2004 para 38,6 milhões em 2006 (mais 293,8%), tendo uma média de 180 mil clientes em cada dia útil.

Tendo em conta o número de passageiros esperados diariamente, bem como a poupança nos respectivos tempos de viagem, fácil será concluir sobre o enorme impacte na qualidade de vida dos seus cidadãos e economia da Grande Área Metropolitana do Porto, que se tornará mais competitiva e atraente, a médio e longo prazo, permitindo que outras actividades económicas se realizem de forma mais eficaz e rentável.


VANTAGENS DO TRANSPORTE PÚBLICO


A cidade americana de Houston é uma referência, como um exemplo a não seguir, por ter graves problemas de mobilidade, e está a pagar muito caro por ter baseado a sua circulação apenas no automóvel.

Para se ter uma ideia da gravidade da situação, a União Internacional de Transporte Público (UITP) dá como exemplo a comparação entre as cidades de Singapura e Houston, que possuem aproximadamente a mesma população e rendimento per capita. Por ano, Singapura gasta menos 10 mil milhões de dólares para transportar os seus habitantes que a cidade de Houston, o que representa cerca de menos de 3000 dólares por habitante.

Esta diferença, em parte, também se explica devido à diferença da densidade populacional mas, mais importante, deve-se ao facto de que em Singapura 52,75% dos seus habitantes utilizam o transporte público, enquanto que, em Houston, 95,5 %, utilizam o veículo privado.

Na Europa, o transporte público consome quatro vezes menos energia que o transporte individual e, no Japão, esse valor é 10 vezes inferior. Por outro lado, segundo estudos realizados pela APTA (American Public Transport Association) o transporte público cria duas a três vezes mais postos de trabalho que o privado e é muito mais eficaz porque uma linha de Metro ou comboio suburbano pode transportar mais de 50 mil passageiros / hora.

No ano de 2006, foi divulgado um relatório do Eurostat sobre o número de automóveis, por habitante, na União Europeia (UE). Ficou a saber-se que, entre 1990 e 2004, houve um aumento de 38 por cento no número de automóveis no conjunto dos 25 países, atingindo a proporção de um carro para cada duas pessoas. Quanto a Portugal, as tabelas mostram que, em 1990, existiam 258 carros por cada mil habitantes e, passados 14 anos, esse número era de 572. Na UE, Portugal está agora na 3ª posição, tendo à sua frente a Itália e o Luxemburgo. Se considerarmos os países que faziam parte da UE desde 1990, Portugal teve o maior crescimento no número de viaturas pois o aumento foi de 135%.

Além deste forte aumento, serão investidos, nos próximos anos, mais de 15 mil milhões de Euros nas SCUTS, o que representa um enorme esforço financeiro. O modo rodoviário foi, sem dúvida, a grande aposta dos sucessivos Governos nos últimos vinte anos. Por outro lado, verificou-se que, nas mais importantes cidades do nosso País, a maioria dos cidadãos se desloca em viatura particular, sendo Lisboa um dos casos mais graves porque, em média, cada automóvel transporta só 1,2 passageiros.

Nas famílias portuguesas, os gastos em combustíveis atingem entre 76 a 125 Euros por mês, ou seja, entre 916 a 1500 Euros, por ano, o que representa uma percentagem importante do orçamento familiar, tendo em conta o rendimento médio.

Concluiu-se que, num país como o nosso, com poucos recursos económicos, dirigiu-se o maior esforço para o modo de transporte mais caro, mais poluente e que maior número de mortes, feridos e prejuízos provoca na sociedade.

Rui Rodrigues

rrodrigues.5@netcabo.pt

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domingo, 21 de Junho de 2009

Mudança da Bitola Espanhola na Rede Ferroviária Isola-nos

O Ministério de Fomento de Espanha decidiu efectuar um estudo que deverá estar concluído até ao final do ano e que tem por objectivo a mudança da bitola (distância entre carris) de toda a rede ferroviária de Espanha nos próximos anos. Esta alteração deverá representar investimentos de cinco mil milhões de Euros. Além das novas vias em bitola europeia que estão em construção, todas as linhas convencionais antigas passarão a ser em bitola 'standard'. As vias já electrificadas, de três mil volts e corrente contínua, terão a mesma corrente e tensão eléctrica da rede francesa (25 mil volts e em corrente alterna).

As vantagens de toda esta operação é enorme, porque vai permitir o livre trânsito de comboios de todo o território espanhol, portos e plataformas logísticas para a União Europeia (UE).

As alterações em Espanha vão ter grande impacto em Portugal e, se nada for feito, em termos ferroviários, o nosso País passará a ser uma ilha, pois já nem a Espanha terá vias de bitola ibérica.

O nosso País necessita urgentemente de possuir uma rede que permita a circulação de todos os comboios de bitola europeia para resolver o grave problema da interoperabilidade, que é a capacidade de conectar os sistemas ferroviários dos diferentes países (bitola, sinalização, electrificação, etc...), o que provocará um aumento do mercado e uma forte redução nos custos de exploração, de 30 a 40 %, e nos custos dos respectivos equipamentos. Com um sistema único de gestão, os comboios podiam circular livremente pela UE, mas, por estas condições não existirem, a velocidade média é de apenas 18 Km/h.

A opção por soluções 'standard' e compatíveis com as das restantes redes da UE irá permitir adquirir material circulante a preços que, em muitos casos, podem atingir valores 50% mais baixos. Portugal terá grandes desvantagens se continuar dependente de soluções específicas.


COMBOIOS DE DUPLO EIXO COM "INTERCAMBIADOR" NÃO SERVEM


Existem comboios de duplo-eixo que podem circular sobre as duas bitolas e, para que tal seja possível, impõe-se a instalação de um "intercambiador" que consiste numa instalação onde se realiza a mudança da distância entre rodas. A escolha de comboios de duplo-eixo não irá resolver o grave problema de interoperabilidade que a actual rede ferroviária portuguesa apresenta e, mais importante, não é solução viável para o transporte de mercadorias. Com efeito, na futura rede espanhola, a esmagadora maioria dos comboios será exclusivamente de bitola 'standard' e, só em casos pontuais, a Espanha irá utilizar comboios de duplo eixo. Se Portugal optar por este tipo de comboios ficaria inacessível para a maioria da futura rede espanhola e da europeia, porque nenhuma empresa iria adquirir, de propósito, este material circulante para transportar passageiros de e para o nosso País. A França, Alemanha ou Itália não utilizam estes comboios, pela simples razão de que não têm o grave problema da diferença de bitola.

A Espanha, ao mudar em definitivo a sua rede, terá, obviamente, de abandonar o fabrico dos comboios de duplo-eixo. As mudanças no país vizinho, relativamente à sua rede ferroviária, deveriam levar os responsáveis portugueses a uma profunda reflexão sobre qual a prioridade dos investimentos a realizar nos próximos anos.

O Governo está a cometer um grave erro estratégico ao continuar a insistir na ligação dos portos nacionais, em bitola ibérica, quando a Espanha vai mudar toda a sua rede para bitola europeia.

Rui Rodrigues

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quarta-feira, 1 de Abril de 2009

A Privatização da Ana e os Terrenos da Portela

Se o Presidente da República não aprovar a privatização da ANA, a proposta terá que voltar ao Parlamento. Nesse caso, por se tratar de uma delimitação do sector público e sector privado, serão necessários 2/3 dos votos dos Deputados da Assembleia da República.

Rui Rodrigues

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quinta-feira, 19 de Fevereiro de 2009

Traçado da Nova Linha de Alta Velocidade Lisboa Porto

No dia 4 de Fevereiro de 2009, a Secretária de Estado dos Transportes, Ana Paula Vitorino, participou num programa televisivo, Sociedade Civil da RTP2, sobre a nova rede ferroviária onde fez declarações que poderão sugerir que a nova Linha de Alta Velocidade (AV) Lisboa-Porto irá sofrer alterações no traçado anteriormente proposto.

Rui Rodrigues

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quarta-feira, 22 de Outubro de 2008

UM NOVO AEROPORTO PRIVADO EM CIUDAD REAL

O novo aeroporto de Ciudad Real é o exemplo prático de como, no futuro, a nova rede ferroviária de Alta Velocidade vai provocar uma concorrência cada vez maior entre aeroportos e respectivas taxas.

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Rui Rodrigues

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terça-feira, 14 de Outubro de 2008

Comprem mais comboios para a Ponte 25 de Abril

A compra de mais comboios para a Ponte 25 de Abril poderia aumentar de 80 mil para 120 mil o número de passageiros transportados, o que seria uma solução simples, barata e eficaz para melhorar a mobilidade entre as duas margens do Tejo.

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Rui Rodrigues

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terça-feira, 30 de Setembro de 2008

ALCOCHETE: OUTRO ERRO COMO BEJA?

O que está a ocorrer com o aeroporto de Beja também poderá suceder com a nova infra-estrutura em Alcochete, onde se pretende investir milhares de milhões de Euros sem sequer existir uma política aérea adequada à região de Lisboa e ao nosso país.

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Rui Rodrigues
rrodrigues.5@netcabo.pt

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segunda-feira, 15 de Setembro de 2008

CP nunca acoplou dois pendulares

Se a gestão e manutenção dos comboios Pendulares for melhorada, seria possível ter maior rentabilidade na rede ferroviária existente, bem como, aumentar o tráfego e as receitas.

Rui Rodrigues

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quinta-feira, 28 de Agosto de 2008

A Linha Ferroviária do Tua ou o fundamentalismo do betão

A barragem do Rio Tua pode ser um investimento interessante para a empresa que a vai explorar, a EDP, mas provocará, sem dúvida, uma perda irrecuperável do transporte público, da paisagem e da agricultura de Trás-os-Montes, que se tornará mais pobre e despovoada.

Rui Rodrigues

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sexta-feira, 11 de Julho de 2008

A TAP e o uso de mangas na Portela


A não utilização de placas de mangas, por parte da TAP, é um grave constrangimento do aeroporto de Lisboa, mas poderia facilmente ser solucionado pelas Administrações da ANA e da Transportadora Aérea Nacional.


Rui Rodrigues

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quinta-feira, 26 de Junho de 2008

O Falso Argumento da Saturação da Portela

Reportagem vídeo de 5 minutos na TVI


Rui Rodrigues

Leia o documento referido na reportagem.

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terça-feira, 10 de Junho de 2008

Linha Poceirão Caia - novos erros em projecto


Ao lançar o concurso do novo troço Poceirão-Caia, o Governo esqueceu-se de um dos objectivos mais importantes de todo o projecto - a conexão directa dos portos de Sines e Setúbal à rede de bitola europeia, o que permitiria a livre circulação de contentores para a U.E.

Rui Rodrigues

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3ª Travessia sobre o Rio Tejo

O corredor da futura 3ª travessia deverá ser ponderado com muita cautela, de modo a evitar que a navegabilidade do porto de Lisboa seja afectada e que se cometam erros irreversíveis na decisão da sua localização.

Rui Rodrigues

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Linha do Oeste e Alta Velocidade

Uma vez que a construção do aeroporto na Ota foi abandonada, o maior projecto da Região do Oeste deveria centrar-se na modernização da linha férrea que a atravessa

Rui Rodrigues

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Fotos da linha do Tua

Em Portugal, existem poucos locais com aquela beleza, sendo difícil descrever, por palavras, os cerca de 54 quilómetros de via férrea, que separam Mirandela da foz do Tua, pois é uma experiência inesquecível, que fica na memória de qualquer visitante e com o desejo de um dia lá voltar. Para se ter uma ideia da beleza ao longo deste itinerário, podem-se ver as fotos no seguinte ?site?.

Após a abertura da nova janela tentar premir em ?apresentação de slides? e para ver fotos no ecrã inteiro basta seleccionar, em cima, View (Ver) e de seguida, Full Screen (Ecrã inteiro) ou a tecla F11.

A visualização das fotos demorará cerca de 1 minuto e meio

Rui Rodrigues

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segunda-feira, 9 de Junho de 2008

Devido ao AVE, Portela ultrapassará Málaga

Em conclusão, o efeito da chegada do AVE a Málaga é a confirmação prática do que irá ocorrer na Portela, quando Lisboa se conectar à nova rede ferroviária de bitola europeia.

Rui Rodrigues

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